Celebração do Inútil Desejo

Esse blog é um espaço despretensioso, criado para deixar fluir a minha emoção. Ele não tem - e não precisa ter - lógica. Não há um nexo, tampouco uma explicação, para cada um dos textos que o compõem. São apenas fragmentos da minha alma, retratos do meu pulsar, manifestos sinceros do meu coração. Trata-se exclusivamente da celebração do meu desejo: inútil sim, mas muito verdadeiro.

1.8.09

Te cuida

Domingo passado, quando acordei, peguei a Revista de Domingo e fui direto procurar o texto semanal da Martha Medeiros. Quando olhei para a página em questão, tive uma surpresa enorme ao ler o título do artigo: “Te cuida”.


Imediatamente, lembrei as inúmeras vezes em que fui exposta a essa expressão. Inicialmente, ela apenas me causava estranheza e colocava uma lista infindável de dúvidas na minha cabeça. Eu ficava horas pensando sobre o que o tal “te cuida” queria dizer. Seria apenas uma forma diferenciada de dar tchau, seria uma tentativa de me dizer, entrelinhas, que eu precisava me cuidar melhor ou queria dizer “eu não pretendo te ver mais”?


Ao longo do tempo, as atitudes que seguiram o maldito “te cuida” me provaram que o significado dessas duas pequenas palavras era o pior possível.


Fecho os olhos e vejo novamente a cena do meu amado me deixando em casa após uma noite de beijos, palavras de carinho e muitas saudades. Era a primeira vez que nos revíamos após um afastamento de anos e aquela era uma espécie de segunda chance do destino para a nossa história. A minha expectativa com a despedida era imensa. Meu coração estava disparado e a minha ansiedade podia ser vista no tremor das minhas pálpebras. Para mim, aquele momento seria decisivo, afinal, teria a chance de ouvir alguma declaração mais incisiva, uma espécie de saldo do encontro e qualquer promessa concreta de programas futuros.


A resposta para todas as minhas divagações foi um beijo sem graça, acompanhado de duas expressões intrigantes: “a gente se fala” e “te cuida”.


É preciso lembrar que, quase nunca, o “te cuida” aparece sozinho. Ele sempre é piorado por uma expressão que ajuda a mostrar que o contato não irá ocorrer mesmo. O “a gente se fala” é o mais usado, pois consegue dar, na medida certa, um tom vago e despretensioso, atenuando a crueza do “até nunca mais”.


Em outras palavras, “te cuida” é um eufemismo para uma intenção de desprezo tipicamente masculina. Significa que você precisará se cuidar com todo o zelo do mundo porque a pessoa em questão não poderá fazê-lo por você. Por quê? Simplesmente porque não quer.


Não vai haver ligações, torpedos, saídas, abraços, beijos e muito menos romance. Não vai haver histórias, encontros nem trocas. Não vai haver paixão, emoção, trepidação. Resumindo, não vai haver relação.


A partir de todas essas constatações doloridas, a minha alegria se esgota no exato momento em que alguém manda eu me cuidar. Ao menos, após essas míseras palavras serem despejadas no meu ouvido ingênuo, eu sei que não tenho o que esperar. Não existe amanhã nem talvez. Era hoje e acabou de chegar ao fim.


Já passei por essa situação inúmeras vezes e sei que, enquanto estiver solteira, ainda vou vivenciar esse incômodo em outras tantas ocasiões. O que consola é que, agora, tenho convicção de que o “te cuida” é sinônimo do “eu não vou cuidar de você”. E já que é assim, fazer o quê? Cuido eu, né?

29.6.09

Abismo

Não sei se é porque estou perto de completar mais um ano de vida, se é o “inferno astral” de que tanto falam ou se simplesmente atravesso uma fase reflexiva e questionadora.

O fato é que o plainar de uma simples folha me faz ter longos minutos de pensamentos concentrados. Cada som, cada gesto, cada frase pronunciada, cada fala interrompida, cada intenção descartada me levam a análises longas, profundas e dolorosas.

A cada dia que passa percebo o quanto tenho errado enquanto pessoa e, sobretudo, como mulher. Sou transparente, sincera, autêntica, inteira. Acredito no impossível, torço pelo imponderável, me entrego ao abismo. Todas essas atitudes me trazem desprezo, traições, pouco caso e desrespeito. Mesmo assim, eu não aprendo.

Continuo sendo eu: honesta e passional. Sigo a minha trajetória de dar sem receber e de amar sem ser amada. Tento mudar, me esforço para ser menos densa, para segurar o meu coração ingênuo, mas é em vão. A cabeça sabe o que esperar, mas a alma se atira na imensidão do céu. As nuvens invadem o meu vôo sem destino, me atiram na tempestade e me dissolvem em gotas de chuva. Acabo como lágrimas quentes que escorrem, indóceis, do meu rosto marcado por decepções.

Lembro de quando acreditava no amor e, como em um filme antigo, vejo cenas da felicidade que pensei viver no passado. Em todas essas horas, é a imagem dos anos ao lado do Gustavo que contagiam a minha mente atordoada.

O corpo quente, o sorriso largo, as brincadeiras diárias. Até hoje, anos depois, demoro a dormir, revirando na cama, sentindo falta do seu abraço forte. Era só encostar a cabeça em seu peito para tudo perder o sentido, para qualquer problema parecer pequeno. Ainda agora espero os seus beijos me acordarem toda manhã, com um jeito único e cúmplice, que inundava o meu peito de paixão e preenchia o meu “bom dia” de risadas soltas.

Tenho saudade do trivial, do rotineiro. Pagar as contas, arrumar a casa, assistir novela. Dividir a cama, a alma, o dia. Trocar beijos, farpas, amor. Compartilhar a vida.

Caí de um penhasco tão alto que ainda não consegui aterrissar. Tenho procurado pára-quedas para aliviar a dor da chegada, mas eles se esvaem em pleno ar.

A grande verdade é que eu quero o que achava que tinha. E, para encontrar, voltei à infância, revivi a adolescência, aceitei o inaceitável, respeitei diferenças intransponíveis. Só fiz cair mais e mais rápido. Quanto mais se cede, mais se afunda. Quem entende demais, não se faz entender.

Reflito, questiono, pondero, me revolto, revejo, reconsidero. Tento, desisto, amo, odeio. Lembro das sábias palavras de Cartola e fico martelando em meus próprios pensamentos o que ele, sabiamente, anunciou há tantos e tantos anos. O mundo é mesmo um moinho e são os meus sonhos que estão sendo triturados, dia após dia, pelo abismo que cavo com os meus pés cansados de caminhar...

Trecho da música “O mundo é um moinho”

“Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés”

23.6.09

Em algum lugar do futuro

O ano é 2029. O dia é 07 de julho. É meu aniversário. Cansada de um dia intensivo de trabalho, sigo para um bar aonde encontrarei amigos e familiares para uma comemoração tranquila.

Chegando ao local, encontro pessoas queridas e reconheço muitos rostos, mesmo com as marcas trazidas pelo tempo. Sou subitamente abraçada por dois adolescentes lindos, um menino e uma menina. Em questão de segundos, percebo que eles são meus filhos.

Barulhos de palmas ecoam e tomam conta do ambiente. Sorrisos, assobios e gritos de parabéns dominam as mesas e, de maneira contagiosa, até mesmo estranhos aplaudem o meu aniversário. Um abraço inesperado interrompe a minha emoção e, sem que possa reagir, recebo um beijo apaixonado. Meu coração, entretanto, não palpita, meu estômago não sente frio, minhas mãos não suam. Nada muda na minha respiração, que permanece regular, controlada. Meu ar não falta, minha emoção não transborda.

Realizo que acabei de beijar o meu próprio marido e me sinto estranha com essa descoberta. Penso no que há de errado e não consigo chegar a lugar algum.

De repente, uma pessoa do passado, o grande amor da minha adolescência, aparece na minha frente. Todo o nervosismo e paixão que não senti antes invadem o meu corpo, cegam a minha visão, dominam a minha mente febril. Ele diz que a algazarra da comemoração o fez perceber que se tratava de mim e que, em função disso, decidiu me cumprimentar.

Ele puxa a mão de uma garotinha e me apresenta como sua filha. Em seguida, aponta para uma mesa distante e me mostra outros filhos, a mulher, enfim, a sua família. Percebo que construímos vidas separadas e vivemos histórias sem intercessão. Ele teve com aquela mulher, a poucos metros de mim, tudo o que sonhei. Ele deu a ela o amor que me foi negado.

Sinto uma tristeza imensa, um ímpeto incontrolável de gritar. Quero chorar, correr, fazer algo que me permita voltar no tempo. Desejo saber que passo em falso me levou a isso, em que momento escolhi a bifurcação errada do meu destino.

Aos prantos e molhada de suor, acordo assustada. Percebo que tudo não passou de um terrível pesadelo e respiro aliviada, como se a paz voltasse a repousar no meu corpo. Poucos minutos depois, penso que esse foi um aviso muito verossímil do futuro que me amedronta, uma prévia da realidade que me aguarda na esquina implacável dos anos.

Encontros e desencontros, falta de comunicação, vidas perdidas no tempo. Lá se vão quase 14 anos de uma história não vivida, de um amor não realizado, de uma relação nunca estabelecida. Quando acho que estou curada, o acaso me surpreende e me afronta com a dureza do não. Não passou, não esqueci, não superei totalmente.

Ao ver a paixão da minha juventude, a reação é sempre a mesma. Não importa onde, com quem, em que ano, em que circunstância. Nada muda. Meu tremor, minha paixão, minha pouca calma. Mas também nada acontece. Relação, troca, doação nem alma.

E se eu não conseguir um amor tão retumbante que apague o calor do desejo sem fim da adolescência? E se nenhuma paixão for suficientemente capaz de calar o grito do desejo reprimido? E se o pesadelo se tornar realidade e se enraizar nas horas cansadas da minha rotina futura? E se?

Aviso ou medo? Premonição ou insegurança? Não sei, não desvendo e simplesmente não controlo.

Eu só quero fazer as decisões certas e ser integralmente feliz com as coisas que não posso escolher. Assim, daqui a 20 anos, estarei onde quero e, sobretudo, com quem desejo. Completa, entregue, apaixonada. Em algum lugar, logo ali, no futuro.

16.6.09

Querer ... você

Olho para os seus olhos e me invade uma vontade imensa de me jogar nos seus braços
Fixo minha atenção na sua boca e, por impulso, fico consumida pela urgência do seu beijo
Quero o seu calor, o seu abraço, a sua forma brincalhona de me fazer rir
Eu desejo...

Sinto o seu cheiro e fico embriagada com o seu perfume
Fito os seus olhos e me perco nos meus pensamentos
Inicio conversas sem sentido e perco o rumo da minha própria fala
Esqueço os meus mais veementes argumentos ...

Você me tira o ar, me rouba os alicerces, me destrói com uma única interjeição
O mais simples dos seus gestos me confunde, me aguça, me bagunça
A sua mais trivial colocação me perturba, me consome, me desorienta
Perco o norte, a concentração ...

O brilho dos meus olhos é o meu maior traidor
Dissolvo-me em paixão, devoção e doçura, mesmo quando tento parecer alheia
Derreto-me em afagos, muitas vezes sem precisar te tocar
Entrego o meu coração e ofereço a minha pele
Finjo, inutilmente, te ignorar ...

Invento histórias que circundam na minha cabeça confusa
Crio situações imaginárias, misturando sonho e realidade
Fantasio beijos, simulo cenas tórridas de amor
Vivo a mentira, tento repelir a inércia da verdade ...

Eu quero o toque, a troca, o gosto, o calor
Eu desejo o beijo, o tato, o contato, o seu amor
Eu quero você, assim, como é, como quer, como vier ...

31.5.09

Não deixe o momento passar

Às vezes, as coisas mais clichês são também as mais verdadeiras. Recebi centenas de mensagens ou li depoimentos sobre a necessidade de aproveitar o hoje, de viver o agora, de não perder os momentos. Trata-se do velho e batido carpe diem , que tanto confundiu a cabeça dos barrocos entre a necessidade de gozar a vida e a obrigação de salvar a alma, garantindo um lugar no céu.

Em quase 29 anos, essas ideias nunca tinham me tocado de verdade. Até agora. De uns tempos para cá, percebi que perdemos tempo pensando demais nas coisas e avaliando excessivamente as nossas atitudes. Temos medo de dizer, receio de fazer, vergonha de ser. Com todos esses senões, desperdiçamos histórias únicas, instantes mágicos e experiências enriquecedoras. Damos chance aos mal-entendidos, simplesmente porque não somos claros.

É tão fácil ser transparente, fugir dos jogos, se esquivar das culpas. Se eu quero algo e isso me faz bem, por que não? Aliás, por que tantos nãos? Não posso, não devo, não sei ... Isso, literalmente, NÃO leva a nada. E eu quero ter TUDO.

É claro que é preciso manter o respeito pelas pessoas e, sobretudo, pelos meus próprios limites. Tenho que ter certeza de que ir atrás de uma vontade me fará bem, me deixará leve, somará coisas boas à minha vida.

Tendo convicção disso, é só deixar as situações chegarem, sem ficar tergiversando sobre o que vai acontecer depois. Depois é futuro e não está nas nossas mãos. Depois é etéreo, intangível, não vivido. Devo dispensar uma hora de alegria pensando que, daqui a um mês, isso ou aquilo pode ocorrer? Pode é talvez e também não cabe a nós adivinhar.

Tenho que ignorar os meus impulsos e esconder os meus anseios com medo do que os outros vão pensar? Claro que não. Afinal, ninguém pode ser feliz no meu lugar.

Não sei se a minha trajetória durará mais um mês ou mais oitenta anos. Então não tenho tempo de perder oportunidades. Tenho que dar valor aos dias comuns e a cada momento singelo. Encarar os fatos com leveza e soltar uma gargalhada nas adversidades. Sorrir para o acaso e me alegrar com pouco. Quando a alma está leve, tudo é mais fácil. Alegria atrai alegria.

Quero, cada vez mais, rir do trivial e brincar com o inevitável. Vou me permitir uma vida inteira, aceitando o agora, sem questionar o amanhã. Se não vier nada, o ontem já terá valido a pena. Sem culpa, cobranças, julgamentos nem remorsos. Apenas com intensidade, consciência e uma vontade clara: ser feliz!

Quem disse que amar é fácil?

Quando eu era pequena, assistia a filmes da sessão da tarde e ficava horas a fio imaginando como e quando eu iria encontrar o amor. Para mim, seria uma coisa mágica, única e definitiva. O príncipe encantado cruzaria o meu caminho, nos olharíamos e o amor eterno nasceria como por feitiço. Luzes se acenderiam, música embalaria a nossa emoção e, como em uma espécie de clipe musical dos anos 80, correríamos nas areias da praia, celebrando a paixão mútua e indestrutível.

Essa ilusão durou pouco. Morreu na primeira decepção a que fui exposta, no momento exato em que descobri uma das máximas mais tristes da minha existência: eu amar alguém nem sempre é igual a nós dois estarmos juntos. Aliás, quase nunca é. Amores não correspondidos, mal resolvidos, não começados e semi acabados são os que mais povoam as nossas vidas de histórias nebulosas e confusões sentimentais.

Apesar de ter aprendido muito com as escolhas erradas e as paixões unilaterais, sempre mantive uma convicção: só é possível amar uma pessoa de cada vez. Isso não é mais uma verdade para mim. A vida prega peças e esvai as nossas certezas mais genuínas. Hoje eu sei que é possível, sim, amar alguém e ser apaixonado por outra pessoa. Tudo ao mesmo tempo, com jeitos diferentes, intensidades particulares. Aliás, aprendi que o amor não tem lógica, não é exato, não pode ser parametrizado.

Somos feitos de emoções e são elas que guiam as nossas vontades. Eu sou uma pessoa ao lado de fulano e me torno completamente diferente ao me aproximar de ciclano. Somos exatamente aquilo que os outros nos tornam. A maneira como alguém te vê é o que faz você ser isso ou aquilo. Enquanto uns extraem o meu lado menina, outros arrancam de mim a minha porção mulher. E as duas nuances são pedaços singulares da complexidade de facetas que me constituem.

O difícil nisso tudo é saber qual parte eu quero extravasar e que perfil quero deixar transcender. E como saber que pessoa deve estar na minha vida: a que me dá esteio ou a que me faz voar? A que me idealiza ou a que me enxerga como uma pessoa comum? A que me dá paz ou a que me tira o ar? Como optar entre a calma e a tormenta? Meu coração vive aos pulos, minhas mãos transpiram paixão, minha mente se perde em pensamentos contraditórios. Eu quero, mas não posso. Eu preciso, mas não desejo.Pela primeira vez, entendo como seria bom se pudesse ter tudo: o amor seguro, a paixão desesperada e, de quebra, a leveza saborosa da falta de compromisso. Assim, saciaria as minhas vontades, preencheria as minhas nuances opostas e ainda poderia ser só, sempre que desse na telha.

Desde sempre, poetas e pensadores tentam definir o amor. Nenhuma tentativa até agora conseguiu classificar esse sentimento imenso e incontrolável, que domina os nossos gestos e determina as nossas escolhas. Ou a falta delas. É complicado, tira o nosso sono, rouba o nosso fôlego, mas traz um brilho aos olhos e uma vida aos sorrisos capaz de compensar tudo. Quem disse que amar é fácil? Não é mesmo simples, mas o que importa de verdade não é a complexidade da experiência, mas a completude que ela pode trazer. Amar é difícil sim, mas é muito bom. E essa é e sempre será a minha escolha.

9.10.07

Simplicidade escancarada

Tudo o que vejo e ouço se torna insumo para o que escrevo. A observação da vida, seja minha ou dos outros, é o que inspira e motiva as minhas dissertações. Preciso pôr para fora o que vivencio e, dessa maneira, aliviar o meu coração.

Nesse contexto, nada é capaz de motivar mais do que a música. Não importa o estilo, sempre há uma mensagem importante sendo passada e mobilizando pensamentos. A cada estrofe, estabeleço um paralelo com algo por que passei ou com um sonho que ainda quero concretizar. Cada verso, por mais simplório e repetitivo, me leva a léguas de distância, em uma viagem íntima e indescritível.

Viajo em torno de mim mesma e velejo no mar agitado dos meus próprios anseios. Passeio, sem rumo nem pressa, pelos caminhos confusos das minhas contradições e me perco no labirinto interminável das minhas escolhas.

O curioso é que sempre acabo chegando a um ponto comum, como se estivesse em um filme empacado ou me tornasse uma faixa de um CD arranhado. Esse local é o depositório das minhas certezas, o centro das minhas convicções. É exatamente aí, nesse espaço misterioso, que guardo tudo o que sei, quero e preciso. É somente nele que me permito ser e ter, sem filtros nem julgamentos.

Os conceitos de certo e errado, por vezes, se dissipam na minha cabeça. Em alguns momentos, questiono os estereótipos que o mundo me impõe, permitindo-me ser eu mesma, de maneira completa e visceral.

As minhas feridas estão abertas, só que ainda mais escancarado VIVE o meu coração. Quero ser feliz e ir em busca do que me traga alegria. Simples assim, mas muito para mim.

8.10.07

Teoria da Vodka

Trabalhar na área de Comunicação exige muita criatividade. Nesse processo permanente de imaginação, a gente acaba viajando e criando teses diversas sobre o mundo, as coisas e as pessoas. No meu caso, lidando com quase 10 mulheres 10 horas por dia, essa realidade é ainda mais premente.

Em meio a pilhas de papel e muito estresse, chegamos a uma conclusão muito interessante, que pode desafiar médicos e nutricionistas: ao contrário do que todo mundo pensa, vodka emagrece.

Chegamos a pesquisar as reais calorias da bebida e espantamo-nos ao descobrir que um copinho de 100 ml contém nada menos do que 230 kcal. Isso sem contar os outros ingredientes que nós, mulheres, adicionamos à receita, sem dó nem piedade. Veio-me à cabeça um desfile engordativo de leites condensados, cocos, licores, chocolates e tantas outras guloseimas e especiarias que recheiam os drinks femininos.

Em um primeiro momento, uma pessoa desavisada pode se desesperar com essas constatações. Até, entretanto, conhecer a nossa teoria.

Comecemos por “quando” a vodka é consumida. Quase 100% das vezes, a ingestão se dá à noite, sobretudo ao longo da madrugada. Ou seja, ao invés de estarmos dormindo e “engordando”, estamos bebendo, dançando, conversando, beijando, enfim, vivendo.

Aí, chega o segundo ponto relevante a ser considerado: quanto mais se bebe, mais energia se tem. A empolgação triplica, a vergonha diminui exponencialmente e, conseqüentemente, as calorias perdem-se de maneira frenética, mortas pela exaustão e o suor.

O terceiro quesito é ainda mais interessante. O “efeito vodka” não termina na mesma hora: os seus benefícios se estendem ao dia seguinte. O que acontece é que, após várias doses, o estômago da gente fica debilitado. O efeito imediato é uma dor desagradável e um enjôo generalizado. Parece ruim? Mas é perfeito. Significa um dia inteirinho de jejum espontâneo e de total falta de apetite. Representa um longo período de imunidade às tentações. Durante essas 24 horas, podem desfilar na nossa frente pizzas, salgadinhos, tortas e até mesmo baldes de profiterólis. Nada nos apetece, apenas um bom copo d’água e algumas leves folhinhas de alface. Sem molho.

Assim, além das calorias da vodka, nos livramos de algumas já angariadas e economizamos milhares de outras que adquiriríamos. O resultado? Perda de peso.

Todo esse blá blá blá foi para confirmar o valor e a seriedade da nossa teoria. Mais do que isso, para dar peso à nossa argumentação. O que fica é a comprovação da nossa tese: vodka emagrece!

Por isso, mulheres, nada de chope! Vamos à vodka! Cheers!